Eu Sempre Achei que Conhecia Meus Pais
Então eles se foram, e eu percebi o quanto, na verdade, eu sabia pouco.
Quando minha mãe faleceu há cinco anos, eu fiquei arrasada, mas pelo menos ainda tinha meu pai. Então, há dois anos, ele também se foi. E, no silêncio que veio depois, eu me vi tentando me agarrar a algo – qualquer coisa – que me ajudasse a mantê-los por perto.
Encontrei caixas de fotos antigas, cartas sem contexto, recibos velhos e cartões-postais de lugares que eu nunca soube que eles tinham visitado.
Mas as vozes deles? Os pensamentos deles? As coisas que teriam me contado se tivessem simplesmente colocado no papel?
Se foram.
Essa ausência me atingiu mais forte do que as mortes deles. Porque agora eu nunca mais poderia fazer as perguntas que realmente importavam.
E meu maior medo passou a ser que, um dia, meus próprios filhos pudessem sentir o mesmo em relação a mim.
Preenchendo as Lacunas
Eu não queria que meus meninos – Marcos e Evandro – montassem quem eu fui por meio de pedaços soltos e histórias de segunda mão. Eu queria que eles me conhecessem, a mim de verdade, com as minhas próprias palavras.
Então, comecei a escrever. No começo, eram apenas lembranças rabiscadas em um caderno: meu primeiro trabalho na padaria da cidade, como conheci o pai deles em um churrasco de 4 de julho, a primeira vez que segurei cada um deles nos braços.
Foi bom recordar, mas também parecia confuso, incompleto. Como se eu estivesse tentando montar um quebra-cabeça sem saber qual imagem deveria aparecer.
Foi aí que encontrei a Memowrite.
Transformando Memórias em História
A Memowrite não era apenas sobre escrever – era sobre contar histórias. Os direcionamentos deles me guiavam como um empurrãozinho gentil na direção certa.
Em vez de ficar olhando para uma página em branco, eu era convidada a responder: Qual é uma lição que você aprendeu do jeito mais difícil? Qual é um pequeno momento que mudou sua vida?
Perguntas que me faziam pensar, que me faziam ir além de lembranças superficiais.
Escrevi sobre minha infância, crescendo em uma casa cheia de música, onde o cantarolar da minha mãe preenchia cada canto.
Escrevi sobre como eu saía escondida com minha melhor amiga, Rebeca, e como jurávamos que iríamos morar em Paris, mas nunca fomos além da cidade vizinha.
Escrevi sobre a força silenciosa do meu pai, sobre como ele conseguia consertar qualquer coisa com as mãos, mas nunca soube muito bem como dizer as palavras "eu te amo." E escrevi sobre como prometi a mim mesma que seria diferente com meus próprios filhos – que eu diria isso a eles, repetidas vezes, para que nunca duvidassem.

Um Legado em Palavras
Quando a Memowrite transformou minhas palavras em um livro, senti algo mudar dentro de mim.
Isso não era apenas uma coleção de lembranças. Era a prova de que eu existi. De que minhas histórias importavam. De que, muito depois de eu partir, meus filhos não precisariam adivinhar quem eu fui.
Aquele foi o momento em que eu soube: eu tinha dado a eles algo real. Algo que meus pais nunca me deram.
Se há uma coisa que aprendi com esse processo, é que uma vida não deve ser deixada em fragmentos. Histórias merecem ser contadas – não remontadas a partir de cartas antigas e lembranças pela metade.
A Memowrite me ajudou a dar aos meus filhos o presente que meus pais nunca pensaram em deixar: um registro de quem eu sou.
E agora, quando eu não estiver mais aqui, minhas palavras estarão.







