Se alguém tivesse me contado, há um ano, que eu escreveria um livro sobre a minha vida, eu teria dado risada. Nunca me considerei uma "escritora".
Ainda assim, aqui estou eu, segurando em minhas mãos um livro lindamente encadernado, cheio das histórias do meu passado, das minhas alegrias e tristezas, dos meus aprendizados e risadas.
E tudo começou com a Memowrite.
Como Tudo Começou
Foi minha filha, Lívia, quem primeiro plantou essa ideia na minha cabeça.
"Mãe, você nos conta essas histórias há anos. Por que não colocá-las no papel?" ela me perguntou em uma tarde, durante o chá. Eu hesitei.
Quem se importaria com a vez em que me perdi no caminho para a escola, ou com o jeito como a cozinha da minha avó cheirava a pão fresquinho todo domingo?
Mas Lívia insistiu. "Não se trata só das histórias, mãe. Trata-se de você. De nós. Trata-se de manter nossa história viva."
Foi assim que me vi no site da Memowrite, lendo sobre como o processo deles funcionava.
Um questionário simples para guiar minhas reflexões, editores experientes para ajudar a lapidar minhas palavras e, no final, um livro com um design encantador. Parecia… possível.
Mergulhando nas Histórias
Comecei com cuidado, respondendo a uma das primeiras perguntas: "Qual é uma das suas lembranças mais antigas da infância?"
No mesmo instante, eu estava de volta ao jardim da minha avó, com o sol quentinho nos meus ombros enquanto eu estendia a mão para pegar o tomate mais maduro, com o suco escorrendo pelos meus dedos. Eu conseguia ouvir a risada dela, vê-la enxugando as mãos no avental.
E, assim, eu comecei a escrever.
Quanto mais eu escrevia, mais lembranças voltavam como uma enxurrada.
Escrevi sobre minha infância em uma cidade pequena, onde brincávamos de amarelinha até os postes acenderem.
Escrevi sobre minha adolescência, cheia de sonhos e primeiros amores.
Escrevi sobre o dia em que conheci meu marido, sobre como ele me fazia rir mesmo quando eu não queria, e como segurou minha mão nos momentos mais difíceis.
Em alguns dias, as palavras fluíam como um rio. Em outros, vinham devagar, tímidas e lentas.
Houve momentos em que sorri, revivendo as aventuras da juventude, e momentos em que precisei parar um pouco, tomada pelo peso da saudade, da perda e do amor.
Mas a Memowrite tornou tudo mais fácil. Os temas sugeridos me conduziam adiante, como uma amiga gentil dizendo: "Continue, me conte mais."
A equipe deles me tranquilizou, lembrando que a minha voz tinha valor.
Dando Vida ao Livro
Uma das partes mais emocionantes do processo foi escolher as fotos.
Revirei álbuns antigos, rindo dos penteados e me admirando de como todos nós já fomos tão jovens.
Uma foto do dia do meu casamento, um registro espontâneo dos meus filhos brincando no quintal, um momento precioso do meu falecido marido me olhando com aquele brilho familiar nos olhos.
Essas imagens não eram apenas fotos; eram pedaços do meu coração, congelados no tempo.
Quando a versão final chegou, hesitei antes de abri-la.
E se não estivesse boa o bastante? E se minhas palavras não tivessem conseguido traduzir o que eu sentia?
Mas, ao virar as páginas, vi minha vida diante de mim — não perfeita, mas verdadeira. E isso bastava.

Compartilhando o Legado
No dia em que dei o livro para minha família, sentamos juntos, lendo e relembrando.
Lívia se emocionou quando encontrou a história do primeiro recital de piano dela, aquele em que ela esqueceu as notas e eu sussurrei: "Só continue tocando." Meu neto riu da história de quando eu saí correndo atrás de um cachorro fujão pela rua.
Meu coração se encheu ao vê-los folheando as páginas, não apenas lendo, mas lembrando.
A Memowrite não apenas me ajudou a escrever um livro.
Ela me deu uma forma de segurar meu passado nas mãos e compartilhá-lo com as pessoas que eu mais amo. E talvez, um dia, quando os filhos dos meus netos quiserem saber quem eu fui, eles peguem este livro e encontrem um pedacinho de mim esperando por eles.
E isso, eu acho, é a verdadeira magia de tudo.







